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Selic fica em 13,75%: o que a decisão de novembro significa para crédito e caixa das empresas

Publicado em 06 de novembro de 2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano na reunião encerrada nesta quarta-feira (4). Para as empresas, a decisão preserva o patamar da taxa básica, mas não congela os juros cobrados pelos bancos nem reduz automaticamente as parcelas de empréstimos. O efeito sobre cada operação depende do contrato, do indexador e das condições negociadas com a instituição financeira. 

No comunicado, o colegiado apontou um cenário que exige cautela: a atividade econômica apresenta desaceleração, enquanto as expectativas de inflação se afastaram da meta. O Copom também destacou riscos ligados ao ambiente externo e aos preços do petróleo. A decisão de novembro não estabelece uma data para a próxima redução dos juros. 

 

Por que o empréstimo pode mudar mesmo com a Selic estável?

A Selic é uma referência para as condições financeiras, mas não corresponde à taxa final de um empréstimo empresarial. O Banco Central explica que os juros são negociados entre a instituição e o cliente e podem variar conforme a operação e o tomador.

Além dos juros, o contrato pode envolver tarifas, tributos e outras despesas. Por isso, a comparação entre propostas deve considerar o Custo Efetivo Total (CET), quando aplicável à operação, e não apenas a taxa anunciada. 

Para uma empresa que precisa renovar o capital de giro, isso significa pedir propostas atualizadas, mesmo que a Selic não tenha mudado. Uma taxa mensal menor, acompanhada de custos adicionais ou de um prazo diferente, não necessariamente representa a alternativa de menor custo.

 

O que conferir nas dívidas já contratadas

A leitura do contrato deve começar pela forma de remuneração da dívida:

O Banco Central orienta que o contrato informe as taxas efetivas mensal e anual, eventual índice ou base de remuneração, tributos, tarifas e outras despesas. Esses dados permitem avaliar o custo da dívida e comparar uma proposta de renegociação com a operação atual.

 

Como levar a decisão ao planejamento financeiro

Para o financeiro e a contabilidade, o trabalho é atualizar as projeções a partir dos contratos reais da empresa. Três conferências ajudam nessa revisão:

  • Vencimentos: identificar parcelas, renovações de crédito e desembolsos concentrados nos próximos meses;
  • Capital de giro: confrontar os prazos de recebimento dos clientes com os pagamentos a fornecedores e os custos de antecipação;
  • Investimentos: recalcular o projeto com propostas de financiamento atuais e testar o efeito de receitas menores ou despesas maiores que as previstas.

Nas simulações, é importante manter a taxa anual da Selic separada das taxas mensais dos empréstimos. Aplicar 13,75% diretamente como custo de qualquer dívida pode distorcer a projeção.

A manutenção da Selic oferece uma referência para o cenário, mas o orçamento da empresa precisa refletir quanto ela efetivamente paga para tomar crédito, por quanto tempo e com quais condições.

Fonte: Contábeis